Olá, queridos e queridas leitores(as).
Tudo bem com vocês?
Espero que sim.
Depois da ultima postagem ainda fiquei divagando sobre temas da sétima arte, pois gostaria de explorar um pouco mais esse assunto antes de passar para o próximo.
Bem, para iniciamos, vou voltar só um pouquinho para poder pegar o gancho para a pauta de hoje. Tudo bem? Paramos no cinematográfico, certo?Então vamos lá.....
Depois que o cinematográfico foi lançado, essa novidade foi se espalhado gradativamente pelo mundo e não demorou em surgirem concorrentes, com equipamentos semelhantes para tentar embarca nessa nova onda que estava conquistando expectadores fascinados com as imagens em movimento que traziam maravilhas para diante de seus olhos sem precisarem sair do lugar.
No nessa época que o cinema havia dado seus primeiros sinais de vida, mas ainda era apenas uma semente, que precisava se desenvolver e tomar forma. No começo tudo eram expectativa e incerteza. Para que o cinematografo deveria ser usado? Deveria se apenas um entretenimento, como parques de diversões? Servia para fins científicos, documentários? Para registrar cenas do cotidiano? Essa invenção poderia criar uma nova forma de arte?
Todas essas duvidas eram pertinentes, alguns, no entanto já tinham uma ideia formada sobre o assunto, como os irmãos lumiére (os criadores da invenção), que a principio desejavam que o cinematográfico fosse usado apenas para fins científicos, e se esforçaram muito para isso.
Porem para outros o cinema podia ser realmente uma arte, uma forma de expressão, um meio de contar historias, de fascinar, explorando outras realidades, ou de viajar pelo mundo sem sair do lugar.
E para o cinema vira essa arte combinada, foram necessários vários pioneiros e pioneiras para consolidar a sétima arte como um contato de historias, e talvez toda essa variedades de pensamentos e ideias do que poderia ser, que fez com que o cinema seja algo assim tão abrangente, pois podemos viver tantas emoções em um único filme ou desenho.
E pensando nessa época inicial dos primórdios do cinema, eu achei que seria interessante trazer um resumo sobre dois grandes pioneiros da sétima arte, nomes que ajudaram a criar gêneros de filmes, como ficção, fantasia, aventura e entre outros. Hoje vamos falar sobre Alice Guy Blaché e Georges Méliès. Espero muito que vocês gostem. Boa leitura....
Alice Guy Blaché.
Alice Guy Blaché foi um marco na historia, sendo a primeira mulher diretora, produtora e roteirista que se tem noticia. Produziu e dirigiu mais de mil filmes, foi à criadora de historias de ficção para a sétima arte e além de inúmeras técnicas de filmagens. Foi uma grande artista e revolucionaria que infelizmente a historia ainda não faz o devido jus, tendo suas contribuições para o nascimento de desenvolvimento do cinema muitas vezes sendo esquecidas ou atribuídas a outras personalidades. Agora vamos conhecer um pouco da historia dessa grande cineasta.
Alice nasceu em 1 de julho do ano de 1873 em Sant – Mandré na França. Sua mãe era Marie Clotilde Franceline Aubert e seu pai era Emile Guy, o casal havia se mudado para Santiago no Chile, logo após o casório, porem fazias constantes viagens para a França e numa dessas viagens que Alice veio ao mundo. Na época de seu nascimento seu pai era dono de uma rede de livrarias e uma editora no Chile.
Nós primeiros anos de vida Alice residiu com seus avós em Carouge na Suíça, só após completa quatro anos que foi mora com seus pais no Chile, onde aprendeu a falar espanhol com sua governanta. Com tudo Alice não permaneceu por muito tempo junto com sua família, após completar seis anos foi enviada para a França para estudar junto com seus irmãos, que pouco se tem noticia.
Os negócios de seu pai começaram a passar por dificuldades e não demorou para o mesmo decretou falência e a vida de Alice começou a mudar, seu irmão mais velho veio a óbito pouco tempo depois e em 1893 foi a vez de seu despedir do seu pai, Alice estava com vinte anos na época.
Com a situação se agravando Alice começou a aprender a estenógrafa e datilógrafa no intuito de arrumar um emprego e ajudar no sustento da família. Seu primeiro emprego foi numa loja de verniz e ano seguinte conseguiu uma vaga como secretaria numa empresa de fotografia, que após ser comprada por Léon Gaumont, a companhia passa a se dedica ao ramo de filmagens com a chegada do cinematografo. Nesse período Alice começa a ter seu primeiro contato com o mundo das câmeras, sempre muito curiosa e comunicativa Alice começou a aprender algumas dicas seus clientes.
Mas, foi apenas em 25 de março de 1895 que Alice conheceria sua paixão. Ele Léon Gaumont participariam de uma exibição surpresa dos Irmãos Lumiére na Sociedade para o Incentivo às Indústrias Técnicas em Saint-Germain-des-Prés.
Gaumont não perdeu tempo em participar da nova febre que estava se instalando nos arredores do mundo e além de vender e fabricar equipamento a companhia também começou a realizar filmes e foi a porta inicia por onde Alice pode ter maior contato com esse novo movimento, pode observar de perto e apreender cada vez mais.
Podemos dizer que foi amor a primeira vista, Alice ficou deslumbrada com o cinematografo, e viu na invenção um leque de possibilidades inexploradas, amante de livros de ficção e outras narrativas, Alice decidiu juntar suas duas paixões para criar um novo jeito de contar historias, pois para ela seria um desperdício se essa nova técnica de imagem em movimento ficasse apenas limitada a filmagens do cotidiano e de caráter cientifico.
Com essa inspiração Alice pediu ao seu chefe se poderia fazer algumas filmagens no seu tempo livre. A resposta do senhor Gaumont foi positiva, o profissionalismo de Alice não deixava duvidas, talvez ele também compartilhava da mesma visão de contar e criar historia a partir de imagens em movimento, seja lá qual foi exatamente os por menores que fizeram o senhor Gaumont da sua permissão, ficamos agradecidos por isso, pois assim a carreira de Alice pode começar e se desenvolver sem tantas barreiras.
E em 1896 as filmagens de Alice foram concluídas, filme foi batizado de La Fée aux choux (A Fada do Repolho), que foi baseado num antigo conto francês, se tornando assim o primeiro filme narrativo da historia do cinema, o lançamento foi um sucesso comprovando as habilidades e talento de Alice o que rendeu lhe o cargo de chefe de produções da empresa Gaumont e reconhecimento como a primeira diretora de cinema da historia e muito provavelmente a única a trabalha nesse período.
Alice exerceu seu cargo na companhia Gaumont entre 1896 até.
possivelmente 1906, Alice
não parou de experimentar e criar novos efeitos e técnicas para seus filmes
copias pinadas a mão, sistema de cor trichrome da Gaumont, montagem close-up,
filmagens de exteriores, ilusão de desaparecimento ou transformação de objetos,
sobreimpressões e outras técnicas. Alice também estava presente na transição do
cinema falado, sendo uma grande pioneira no uso de gravações de áudio junto com
imagens na tela.
A mente
e a habilidades de Alice estavam à frente de seu tempo, suas historias sempre
tinham mulheres fortes, ativas, confiantes e aventureiras em destaque. Entre
suas realizações também podemos citar o lançamento do filme “Les Résultas du
Féminisme de 1906 (As consequências do Feminismo) sendo um dos primeiros filmes
a aborda o assunto de modo tão direto, na historia os papeis dos homens e
mulheres é invertido, os homens cuidam das tarefas domesticas e na criação das
crianças, enquanto as mulheres aproveitam a vida boêmia. Alice também tentou promover a igualdade
racial, lançando o primeiro filme da historia composto apenas de atores negros,
pois naquela época infelizmente eram representados por atores brancos com os
rosto e pele pitados para parecem negros, a técnica de “ Blackface”, como
chamavam.
Em 1907
Alice se casou com Herbert Blaché, que trabalhava como cinegrafista numa das
afilias da empresa Gaumont em Londres. Um pouco após o casamento Léon Gaumont
envio Herbert Blaché para os Estados Unidos, no intuito de promover Chronophone,
um dos produtos da empresa Gaumont, Alice acompanhou Herbert em sua viagem, e
suas funções com direção artística na companhia ficaram a cargo de Louis
Feuillade.
Enquanto
tentavam alavanca as vendas do Chronophone, o que estava atraindo muita pouca
atenção, Alice e Herbert se fixaram no bairro de Flushing. Em 1908 Alice da à
luz a sua primeira filha Simone e quase dois anos depois em 1910 ao seu segundo
filho Reginald.
Em 1910
também foi ano em que Alice abriu seu próprio estúdio de cinema o Solax Film Co,
na qual exerceu o cargo de presidente e gerente de produção. O estúdio de Alice
se tornou uma das maiores produtoras de filmes dos Estados Unidos antes da ascensão
de Hollywood.
Herbert
após seu contrato com as empresas Gaumot chegarem ao fim, foi nomeado como novo
presidente da companhia Solax, pois Alice queria foca apenas na parte de
criação e escrita, quando Herbert cuidava dos negócios.
Herbert,
no entanto não se conteve com o cargo e pediu demissão para fundar o seu
próprio estúdio o “Blaché Features”.
Alice
começou a dividi suas atenções para os dois estúdios e infelizmente o Solax
acabou por falir, então Alice começou a trabalha para o seu marido. O relacionamento
foi ficando cada vez mais perturbado e no ano de 1918, Herbert deixou Alice. No
ano de 1921 por causa de inúmeras dividas, a qual muitos remetem a má a
administração financeira de Herbert, Alice foi forçada a vender seu estúdio, para tenta remediar a situação. O divorcio oficial veio somente no ano
seguinte. Sem dinheiro e sem motivos para ficar na América, Alice decidiu
retorna para a França com seus dois filhos.
O
retorno para a França não é como Alice esperava, como a situação estava difícil
a principio teve que ficar a casa de sua irmã. Alice tentou arrumar emprego em
sua área, porem foi recusada em todas as suas tentativas, seu talento é
praticamente esquecido e ignorado.
Alguns
anos depois em 1927 fez uma viagem novamente para os Estados Unidos com
finalidade de recuperar alguns de seus filmes, com tudo a busca só rendeu
apenas três achados.
Durante
a época da guerra Alice acompanhou sua filha Simone algumas viagens, que a
mesma realizava em serviço da embaixada dos Estados Unidos.
Por fim
decidiu se fixar em Nova Jersey, e começou a escrever historias infantis,
utilizando varias pseudônimos para publica-las.
Em 1955
Alice recebeu Legião de Honra pela França. Quase dois anos depois o filho de
Léo Gaumont ajudou Alice a recebe uma homenagem da Cinemateca Francesa. E aos
90 anos ganhou uma biografia por Victor Bachy.
Quadro
anos depois Alice de despede de todos com 94 anos. Ela foi enterrada no Cemitério
“Maryrest” em Mahwah ( Condado de Bergen ).
Alice
foi uma diretora, produtora, atriz, roteirista e o mais importante uma pessoa a
frente do seu tempo, atenta as causas sociais, não deixou que a sociedade
colocasse limites em seu modo de pensar e viver. Pode ser considerada como a
mãe dos enredos e narrativas para o cinema, criou varias técnicas e efeitos
especiais e incontáveis filmes, que deixaram um legado e um embasamentos para
futuros diretores e diretoras, que talvez sem seu trabalho e dedicação alguns
caminho poderiam ter se perdido ou demorado mais tempo para serem percorrido, o
controverso de toda esse talento e toda essa historia tenham praticamente se
perdido no tempo espaço, pois apesar de tantos feitos os esforços de Alice não
são devidamente reconhecidos como outros artistas e cineastas na historia do
cinema, alguns estudiosos alegam a culpa desse apagamento é
responsável pelo machismo ao longo dos séculos que como Alice, varias outras
personalidades femininas também foram apagadas da historia por causa desse
male, outros porem acreditam que essa ausência na historia do cinema é devido a
dificuldade de localizar e traçar uma ordem cronologia dos trabalhos de Alice,
pois muitos de suas obras se perderam e tantas outras a cineasta não fora creditada, entre outras hipóteses, sobre essas questões deixa cada um(a) tirar
suas próprias conclusões. Muito historiadores da sétima arte já fizeram grandes
progressos para que o trabalho da diretora voltasse a luz, a vários sites e
livros que podemos pesquisar para pode saber mais sobre sua historia, e em 2020
foi lançado um filme sobre a vida da Cineasta “Seja Natural: A História Não
Contada de Alice Guy-Blaché”. Vou deixar a descrição no filme em baixo. Com tudo acredito que ainda falta um bom caminho a ser percorrido para que Alice ocupe o
seu lugar de destaque ao lado de tantos outros pioneiros e pioneiras do mundo,
e espero que isso aconteça muito em breve.
Sinopse: Sobre a cineasta pioneira Alice Guy-Blaché é tanto uma homenagem quanto uma história de detetive, traçando as circunstâncias pelas quais essa artista extraordinária desapareceu da memória e o caminho para sua recuperação.
Vou deixar a seguir uma lista com alguns filmes da cineasta caso vocês queram dá uma olhadinha.
Alguns filmes de Alice Guy-Blaché:
- A Fada do Repolho (1896).
- As consequencias do Feminismo (1906).
- O Cair das Folhas (1912),
- Esmeralda (1905).
- A Órfã do Oceano (1916).
- Os desejos de Madame (1906).
- Casamento Às Pressas (1916).
Georges Méliès.
Conhecido
como pai dos efeitos especiais e um dos pioneiros, Georges Méliès foi diretor,
ator cinematografo, ilusionista, figurinista e fabricante de brinquedos.
Seu pai
se mudou para Paris no ano de 1843, e arranjou por lá um emprego numa loja
botas, lugar onde conheceria sua futura esposa e a mãe de Georges.
Calçados
já era ramo da família a muito tempo, os avós de Georges chegaram a trabalha como
sapateiros oficiais da corte Holandesa, porem um grave incêndio destruiu seus
negócios.
Após
algum tempo depois de terem se conhecido os pais de Georges se casaram e
abriram o próprio negocio uma empresa de fabricação de botas de alta qualidade.
O Casal
teve três filhos Henry, Gaston e George. Quando Georges nasceu seus pais já
estavam com uma condição financeira instável e seus filhos podiam dispor de um pouco de
luxo e regalias desde pequeno.
Georges
conta que teve uma educação formal clássica. Desde pequeno mostrou aptidão para
o desenho e para as artes. Georges sempre admitiu que seus instintos
criativos dominavam os intelectuais.
Sua paixão pela arte era muito forte, vivia em
devaneios e acabava levando bronca de seus professores por fazer ilustrações em
seus cadernos de estudos. Em seu tempo livre gostava de fazer teatro com
fantoches de papelão e com o tempo suas marionetes foram ficando cada vez mais
sofisticadas.
Em 1980 se
formou em bacharelado pela Lyceè. Logo apos receber o diploma Georges já foi
integrado na companhia da família, com tudo esse serviço nunca cativou George, que
ainda não havia encontrado o seu caminho.
Algum
tempo depois seu pai o envio para Londres no intuito de aperfeiçoar o seu inglês,
enquanto trabalhava como num escritório de um conhecido da família.
No tempo
que esteve em Londres, Georges descobriu o Egyptian
Hall, um salão de exposições, construído em estilo egípcio no ano de 1812. Lá
no salão Georges conheceu o ilusionista John Nevil Maskelyne. George ficou
fascinado pelos truques e virou frequentador assíduo do lugar, foi em muitas
dessas ocasiões que sua paixão por mágica de palco começou a florar.
Quando
voltou a Paris tinha uma nova ambição, estudar pintura pela École des
Beaux-Arts . Um desejo que foi extremamente rejeitado pelos seus pais, que se
recusaram a pagar pelos seus estudos.
Com esse
desfecho George teve que se contentar com novamente com um cargo na empresa da
família, como supervisor de produção.
Em 1885,
sua família tentou convencer Georges a se casar com a cunhada de um de seus
irmãos, no entanto Georges recusa e em vez disso, resolver unir laços com
Eugénie Genin, filha de um
antigo amigo da família.
O casal
teve dois filhos, Georgette, nascida em 1888, e André, nascido em 1901.
Georges
continuou na fábrica de calçados por alguns anos, mesmo assim nunca deixou que
sua paixão pelas artes desaparecesse, sempre que podia estava mergulhado no
mundo artístico, frequentava o: “Théâtre Robert-Houdin " ,constantemente.
Em suas
visitas acabou se aproximando do mágico Emile
Voisin, que logo convidou Georges para tomar aulas de ilusionismo.
Não demorou
a Georges pegar prática e logo já estava se apresentando no no Cabinet
Fantastique do Museu de Cera Grévin e, mais tarde, na Galerie.
Durante
nove anos que Georges se dedicou a profissão criou mais de 30 novos truques de
ilusões, que impulsionaram um toque de comédia e pompa melodramática nos shows.
Um dos
truques que ilustra a generalidade de Geoges é" O homem decapitado
recitante", a cena apresentada consistia em um professor no meio de um
discurso, quando sua cabeça é decapitada, porem o professor segue com o seu
monólogo naturalmente, como se nada tivesse acontecido e só terminar quando a
cabeça se contra novamente com o seu corpo.
Com o
dinheiro que vinha economizando Georges consegue compra o “Théâtre Robert-Houdin”,
e juntamente com essa aquisição alguns dos funcionários antigos permanecem com
o seu mais novo chefe, podemos citar alguns como Eugène Calmels, mecânica chefe
e a artista Jehanne
D'Alcy , que segundo a história se torna a amante de Georges e futuramente sua
segunda esposa.
Em 27 de
dezembro de 1895, George compareceu a uma demonstração privativa dos
irmãos Lumière, que demonstraram sua mais nova invenção o cinematográfico,
para um pequeno número de pessoas.
Georges
ficou encantado com a novidade e viu ali um novo mundo de oportunidades se
abrir bem a sua frente. Logo após
terminado a sessão George já ofereceu 10.000 francos pela invenção. Com tudo os
irmãos Lumière recusaram o dinheiro, tanto de Georges tantos de outros vários
interessados.
Alguns
acreditam que a recusa se deu a princípio por os irmãos Lumière, querem deixa o
cinematográfico restrito apenas para fins científicos.
No
entanto essa resposta não parou Georges, que estava decidido a obter um
projetor de imagens.
Georges
pesquisou outros inventores na Europa, na América, lugares onde haviam relatos
de máquinas semelhantes, porem aparentemente não tão sofisticadas. Em suas
buscas George encontrou o “Animatograph”, de autoria de Robert W Paul, e
comprou o parelho junto com alguns curtas de animação.
De volta
a Paris George começou a exibir alguns curtas entre as apresentações do “Théâtre Robert-Houdin”. Georges
um pouco insatisfeito com aquisição, procurou fazer alguns testes, no intuito
de fazer o “Animatograph” ficar mais parecido com o cinematográfico.
Num dos
seus testes Georges acabou por criar sua própria invenção, junto com alguns
conhecidos, eles o nomearam de “Kinétographe Robert-Houdin”.
Esse
aparelho era uma câmera e projetor, feito partir de ferro fundido. O aparelho
foi patenteado em 1896, e apelidado de morador de café ou metralhadora,
pelo barulho que fazia.
A
companhia de Star Filme foi fundada por George e seus sócios em 1896 e desse
ano até 1913 George fez mais de 500 filmes, com durações que variavam entre 1 a
40 minutos. Suas obras, geralmente, eram desprovidas de enredo convencionais ou
linha narrativa, os filmes funcionam mais como verdadeiros espetáculos de
magicas, com truques impressionantes, como objetos desaparecendo e criaturas
fantásticas, o que redeu a George o apelido e magico do cinema e pai dos
efeitos especiais, pois muitos dos truques de Méliès acabaram virando efeitos
especiais, que foram amplamente incorporados e usados por outros diretores.
Podemos
cita alguns como: sobreposição, transição, montagens, fundos negros, primeiros
planos em diapositivos, efeitos teatrais, pirotécnicos e ilusões.
Um dos
filmes mais famosos de George é “Viagem a Lua”, onde podemos vislumbrar boa
parte das caraterísticas e estilo de Méliès em suas obras. Apesar do titulo
George não se inspirou apenas em Júlio Verne para criar sua fantasia, também
recorreu ao autor H.G Well e a parques diversão e operetas.
O
projeto teve um grande orçamento e levou meses para ser concluído. Com duração
de 13 minutos e 260 metros de comprimento do rolo do filme. Viagem à lua
estreou no ano de 1902, foi um sucesso imediato e trouxe grande prestígio para
George, que alcançou fama internacional.
A fama
em contra partida acarretou alguns preocupações para George, que teve que abrir
uma a filial no Estado Unido para tentar conter a grande onda de pirataria que
começaram a surgir com seus filmes.
Com o
sucesso cada vez mais crescente George viu que era o momento para realizar os
planos de ter o próprio estúdio de cinema. Comprou um terreno nos arredores de
Paris. George não poupou dispensas, o estúdio Montreuil como ficou conhecido, foi construído todo
de vidro para que a luz natural adentra-se constantemente, e foi tudo equipado
com mais modernos aparelhos da época.
Infelizmente
o estúdio Montreuil
foi completamente destruído durante a segunda guerra mundial.
Em 1912
as coisas já não estavam de vento em poupa para Georges, porem ele continuava
levando como podia. Foi nesse ano que a empresa Pathé encomendou três filmes do
diretor, o que poucos sabiam eram que seriam os últimos filmes do cineasta.
O
resultado final não foi como esperado e os três projetos fracassaram
terrivelmente. O gosto do público estava mudando, o mundo estava ficando tenso,
a grande primeira guerra se aproximava, o fantasioso não mexiam tanto como o
imaginário popular, as pessoas estavam preocupadas com o aqui e o agora, junto
com todo esse cenário um novo movimento artístico começou a ganhar força: O
realismo, que foi ganhando terreno, mudando o modo de contar historia, e os
filmes de Méliès foram ficando cada vez mais sem espaço nessa nova época.
Com todas
essas mudanças produtoras francesas de filmes como Pathé, Gaoumont e Éclair
decidiram mudar seus sistemas e se tornaram grandes instituições. Ao contrario
de Méliès que sempre quis deixar sua pequena empresa como independente.
As
contas foram acumulando, Georges resistiu até onde pode, até que em 1923 sem
mais onde tirar dinheiro resolveu vender o estúdio Montreuil para saldar suas
dividas.
Com o
dinheiro que havia sobrado Georges conseguiu montar uma pequena loja de doces e
brinquedos na estação Montparnasse em Paris, onde começou tirar seu sustento
para viver.
Em 1929
um jornalista que passava pela estação reconheceu o antigo diretor, e sendo um
apreciado de seu trabalho decidiu fazer uma homenagem, houve uma festa de galã
onde toda carreira do cineasta foi prestigiada.
Três
anos depois já com certa idade, Méliès e sua esposa foram admitidos num lar de
idosos em Orly, uma propriedade da indústria cinematográfa.
No dia
21 de dezembro de 1938 Méliès deixou esse mundo com 76 anos, ele foi embora porem
o seu legado continuou, foi perdido e redescoberto, porem nunca esquecido. Seus
efeitos e técnicas foram estudados e aperfeiçoados, inspirando diretores e
atores ao longo dos anos com sua incrível magia.









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